Design, inovação e outras coisinhas a mais.

Arquivo de Novembro de 2008

NÚCLEO DE PESQUISAS NÓDESIGN

Figura Japa FInal 1 - Figura Japa FInal 1

Nódesign foi ao Japão para estudar sua cultura contemporânea e como ela poderá influenciar a cultura material brasileira.

Em 1803, recebemos em Florianópolis a primeira visita de japoneses, eram três e ficaram 45 dias. Depois, em 1908, vieram outros 781, mas dessa vez imigrantes. Há décadas, parte da cultura japonesa vem sendo incorporada à cultura brasileira e muitas das suas características já fazem parte do nosso cotidiano. A cultura contemporânea japonesa, principalmente a urbana, virou referência mundial de inovação e já influencia as análises de tendência de mercado.

s  ntese estilo - s  ntese estilo

Apesar de todo o contato e troca, parece-me que o essencial da cultura nipônica permanece hermético. Conseguimos perceber e absorver mais os seus aspectos superficiais, diluídos e exóticos do que a sua estrutura geratriz. Acredito que se compreendêssemos um pouco mais do que está por detrás de tudo isso conseguiríamos melhor aproveitar o que essa cultura tem a nos oferecer.

Dessa constatação nasceu o projeto Essência Nipônica, patrocinado pelo escritório Nódesign, e cujo objetivo geral foi estudar como o Japão contemporâneo poderá influenciar a cultura material brasileira. O projeto incluiu desk research, visitas a exposições, contato com obras de autores japoneses, entrevistas e uma viagem de vinte dias ao Japão (doze dias em Tóquio e oito dias em Quioto).

Gostaria de agradecer, por todo o apoio e contribuição, a algumas pessoas que foram fundamentais para o sucesso desse projeto: Giovanna Barbieri (produtora do GNT Fashion e pesquisadora de tendências); Laura Artigas (jornalista de moda e criadora do Blog Moda Pra Ler); Pablo Yuba (editor no Japão da Editora JBC e blogueiro do Direto de Tokyo); Tatewaki Nio (sociólogo e jornalista correspondente das revistas japonesas Axis e Pen); Akihiro Ito e Oki Sato Nendo (designers japoneses).

Parte desse estudo será disponibilizado em capítulos semanais no nosso Blog.

Espero que gostem,
Cândido Azeredo (Nódesign).

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Design de Permacultura

É curioso como reconhecemos milhares de marcas, carros, artistas, jogadores de futebol, personagens de ficção etc… mas em geral dificilmente conhecemos mais de três árvores pelas quais passamos todos os dias em nossa rua. Eu poderia começar este texto com alguma definição clássica do tema, mas vocês podem encontrar muita informação com uma simples “googada”. Então é mais útil compartilhar um pouco das minhas observações de iniciante.

A permacultura é baseada numa ética e num conjunto de técnicas que nos orienta sobre como interagir com a natureza. Como planejar o espaço de forma que as interações se beneficiem mutuamente. Devemos exercitar nossos sentidos, nossa percepção para cores, sons, texturas, temperaturas, aromas e sabores. Mapear as singularidades do lugar, quente/frio, seco/úmido, alto/baixo… Como são os ciclos, as estações? De onde vêm e como são os ventos e como é o movimento das águas? Perceber insetos, animais e vegetação que fazem ou faziam parte daquele ecosistema. É um exercício constante de elasticidade mental. O que o local tem disponível para suprir nossas necessidades de alimentação, abrigo, energia, renda, saúde etc… Observar e tentar compreender as forças MACRO e MICRO. Quanto mais exercitamos estas habilidades, mais nos sentimos parte de tudo isto. A intuição vem naturalmente se tivermos paciência.

permaculture2 - permaculture2

Assim como no design que estamos acostumados, que usa materiais, cores, tipologias, imagens, como componentes de nossa criação - o design de permacultura se vale de tempo, clima, plantas, água, solo, insetos, animais, construções e nossa interação para criar ambientes produtivos, diversos, felizes, significativos e belos.

Com prática e tempo, nossos sistemas planejados irão suprir as necessidades básicas para sustentar a vida no local. A medida que aperfeiçoamos o equilíbrio do sistema, começa a surgir cada vez mais beleza. A beleza por sua vez cria a magia que influencia as pessoas que interagem com o local e as inspira a levar estes conceitos adiante. Somos parte do meio ambiente. Não há separação. E a forma como lidamos com a natureza é o reflexo da nossa alma.

Renato Inácio (Design Vivo).

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REDESIGN INTERNO - parte 1

Semana passada fui até Barretos para me solidarizar com meus primos e tios que esperavam angustiados o desenlace do protocolo de morte cerebral da minha prima. Foram horas de muito lamento, tristeza e principalmente desabafos. O acidente de carro da minha prima deflagrou reflexões e comportamentos inesperados. Durante estas horas e dias, acompanhei o sutil redesign interno dos meus familiares, isto é, a reavaliação de seus valores e projetos futuros. Essa mobilização também me contagiou.

Em minhas conjecturas e especulações silenciosas ocorreu-me uma questão: como seria o redesign dos meus valores para que eu me tornasse mais harmônico (na falta de melhor termo)? Certamente essa questão não será respondida tão cedo, mas gostaria de compartilhar seu esboço inicial. [Acreditem, toda essa divagação estranha só foi possível devido à dor da situação e às vinte horas acumuladas que passei na estrada em idas e vindas solitárias de Barretos].

Uma maneira que encontrei para começar a analisar a questão foi perceber como meus valores modelam minhas atividades diárias e, portanto, minha divisão do tempo. A primeira grande tarefa foi sintetizar minhas atividades em grupos que representassem e englobassem variadas ações executadas (ou não executadas, mas que eu deveria praticar) ao longo dos dias do mês. A segunda tarefa foi estimar a duração média dessas ações e dividi-la pelos dias. Para facilitar a visualização, montei um gráfico dessa estimativa, que representa um dia completo (a soma dessas durações é igual a 24 horas):

horas por atividade3 - horas por atividade3

A próxima tarefa foi redistribuir, da maneira mais realista e sincera possível, a duração estimada e arredondada dessas atividades, para encontrar uma divisão mais saudável do meu tempo (hipotética e ideal):

horas por atividade2 - horas por atividade2

Esta proposição levantou outra questão: como tornar esse redesign viável sem comprometer a qualidade das atividades? Acredito que a resposta seja uma somatória de mudanças de mentalidade e de comportamento.

A redefinição de paradigma do que é feito (por hábito impensado ou por falta de tono para romper a inércia) para o que deveria ser feito é a mais difícil. Outra dessas mudanças é a adoção de serviços e produtos (sendo que muitos deles ainda não existem) que me auxiliem na otimização do tempo e na melhora da minha eficiência na execução das atividades.

Como pessoa, tenho procurado repensar novas formas de melhor viver. Como designer, tento pensar, criar e viabilizar instrumentos para facilitar novas maneiras de existir. Entretanto, estes instrumentos só serão economicamente sustentáveis se houver suficiente demanda. Portanto, seria necessária uma redefinição interna dos consumidores (todos nós) para que estilos mais equilibrados de vida fossem adotados e se tornassem mercadologicamente relevantes.
Cândido Azeredo (Nódesign). (…em crise).

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Cigarro, o design que vicia.

Recentemente li uma reportagem que acabou com uma daquelas verdades absolutas que costumamos trazer da infância – época em que verdade significa tudo aquilo que os pais nos contam. A reportagem dizia que a dependência química provocada pela nicotina é pequena se comparada a muitas outras substâncias presentes em outras drogas. No entanto a dependência psicológica do cigarro é uma das maiores que existe.
Depois de ler esta reportagem eu cheguei a seguinte conclusão: o que mais vicia no cigarro não é a nicotina, mas seu design.
São vinte bastões que cabem num bolso e representam vinte possibilidades de parar o mundo e ficar consigo mesmo. Vinte possibilidades de interromper o trabalho, de parar de ter que ser simpático com todo mundo, de prolongar um pouco mais o almoço, de poder refletir sobre uma idéia, e esticar as pernas, de olhar a vida alheia sem parecer invasivo. Vinte bastonetes bem feitos, fáceis de comprar, embalados de forma prática e compacta.
Dentro desta linha de raciocínio então qual é a função da nicotina?
Por sorte dos fumantes a nicotina realmente vicia. Graças a isso, ela é o aval que o fumante tem para poder fazer o que o resto do mundo não pode (a não ser que invente uma diarréia fulminante ou aceite ser rotulado como vagabundo) que é ter momentos durante o dia para si. Aos outros, resta o dia a dia duro, sem momentos de reflexão. Graças à nicotina, os fumantes podem ter tratamento diferenciado assim como uma criança com a perna engessada que provoca a inveja das outras por receber maior atenção da professora e pode não fazer educação física.
Peoria Smoking - Peoria Smoking
Minha namorada, em uma de suas performances familiares, simulou a mesma cena duas vezes: uma mulher recém chegada em uma balada charmosamente encosta-se na parede e fuma um cigarro enquanto olha ao redor mapeando o ambiente, avaliando seus perigos e seus desafios. Depois disso, ela repetiu exatamente a mesma cena da tal mulher, mas desta vez sem o cigarro. O mesmo retrato nos transmite uma sensação completamente diferente. A mesma mulher sedutora e senhora de si torna-se uma solitária insegura, abandonada num canto qualquer a Deus dará.
Fumantes flutuam por aí em meio a fumaça enquanto nos resta a realidade de cara lavada e sem intermédios.
A primeira vez que constatei as vantagens dos fumantes e o design por trás disso tudo resolvi projetar meu cigarro. Peguei papel, algodão e canetinha e fui para a balada. Meu cigarro tinha cinza e tudo. O resultado foi impressionante! No mesmo período em que os não fumantes ficam planejando abordagens para interagir na noite, os fumantes constroem um universo à parte: “Você tem fogo?” “Você pode me dar um?” “Qual cigarro você fuma?” Me senti parte de um mundo paralelo, de um grupo próprio, como devem se sentir os maçons, os motoboys e os barões de título e não de apelido, como este que voz fala. Repeti a dose outras vezes… Mas, como o tempo, eu era desmascarado da seita, tal qual Tom Cruise em “De Olhos Bem Fechados”.
Isso é que é bom design: um produto eficiente em sua forma/função e que provoca toda uma rede elaborada de relações e articulações simbólicas, gerando uma noção de comunidade, facilitando as relações e apoiando os inseguros. Tudo o que um bom design deve fazer.
Só tem um probleminha:
Mata…………..E muito!!!
Mais que acidentes de carro, mais que assassinatos, mais que guerra…. Estes minutos de satisfação por dia são cobrados depois, pois em média um fumante vive dez anos menos que os não fumantes…

Será que um dia nós seremos capazes de criar um novo design tão bom e tão satisfatório quanto o cigarro, mas que não tenha este pequeno defeito?

abraço,

BARÃO

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Células tronco e design?

d1011200801 - d1011200801

Se lhe perguntassem como o design poderia ajudar no processo de fabricação em larga escala de células tronco embrionária, o que vc diria? Pode ser uma solução relativamente simples…
Um grupo de pesquisadores do UFRJ achou uma maneira inteligente e puramente de projeto para esse feito. As células tronco embrionárias são cultivadas em um biorreator ( ambiente onde as células recebem os estímulos necessários para sua proliferação). Elas dependem de um substrato ( lugar onde aderir e crescer) que nos processos normais são pequenos tubos com aproximadamente 9 centímetros quadrados de área cada.
A grande sacada desses pesquisadores foi utilizar pequenas esferas de açúcar como substrato em substituição dos tubinhos. Essas esferas dentro do reator aumentam consideravelmente a área disponível para aglutinação das células. A acomodação das mesmas e o total de superfície disponível são maiores. Com esse método, o mesmo custo de produção do processo convencional produz o dobro de células tronco.
Estima-se que serão necessários 1 milhão de células por quilo de peso para futuras terapias com células tronco embrionária. Quanto vale essa descoberta?
Parabéns aos nossos pesquisadores!
Léo

Léo

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A COISA VAI FICAR FEIA!

Quando vi esse anúncio da DuPont, na revista Exame, senti falta de ar. Precisei de alguns segundos para entender a razão. Leiam com atenção:

Ana Blindada2 1 - Ana Blindada2 1

Achei que fosse algum anúncio elaborado e irônico, mas não era. É aterrorizante a maneira afetiva com que anunciaram esse produto. Se a mensagem realmente reflete a ideologia da empresa, e não foi um rompante sádico e isolado do diretor de arte, então, acredito que a DuPont torça pela desestruturação da sociedade. Da mesma maneira, se a maioria dos leitores reagir com indiferença, então o departamento de marketing desta empresa acertou em prever o final dos tempos e esse produto se tornará objeto do desejo.
Cândido Azeredo (Nódesign).

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