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REDESIGN INTERNO - parte 1

Semana passada fui até Barretos para me solidarizar com meus primos e tios que esperavam angustiados o desenlace do protocolo de morte cerebral da minha prima. Foram horas de muito lamento, tristeza e principalmente desabafos. O acidente de carro da minha prima deflagrou reflexões e comportamentos inesperados. Durante estas horas e dias, acompanhei o sutil redesign interno dos meus familiares, isto é, a reavaliação de seus valores e projetos futuros. Essa mobilização também me contagiou.

Em minhas conjecturas e especulações silenciosas ocorreu-me uma questão: como seria o redesign dos meus valores para que eu me tornasse mais harmônico (na falta de melhor termo)? Certamente essa questão não será respondida tão cedo, mas gostaria de compartilhar seu esboço inicial. [Acreditem, toda essa divagação estranha só foi possível devido à dor da situação e às vinte horas acumuladas que passei na estrada em idas e vindas solitárias de Barretos].

Uma maneira que encontrei para começar a analisar a questão foi perceber como meus valores modelam minhas atividades diárias e, portanto, minha divisão do tempo. A primeira grande tarefa foi sintetizar minhas atividades em grupos que representassem e englobassem variadas ações executadas (ou não executadas, mas que eu deveria praticar) ao longo dos dias do mês. A segunda tarefa foi estimar a duração média dessas ações e dividi-la pelos dias. Para facilitar a visualização, montei um gráfico dessa estimativa, que representa um dia completo (a soma dessas durações é igual a 24 horas):

horas por atividade3 - horas por atividade3

A próxima tarefa foi redistribuir, da maneira mais realista e sincera possível, a duração estimada e arredondada dessas atividades, para encontrar uma divisão mais saudável do meu tempo (hipotética e ideal):

horas por atividade2 - horas por atividade2

Esta proposição levantou outra questão: como tornar esse redesign viável sem comprometer a qualidade das atividades? Acredito que a resposta seja uma somatória de mudanças de mentalidade e de comportamento.

A redefinição de paradigma do que é feito (por hábito impensado ou por falta de tono para romper a inércia) para o que deveria ser feito é a mais difícil. Outra dessas mudanças é a adoção de serviços e produtos (sendo que muitos deles ainda não existem) que me auxiliem na otimização do tempo e na melhora da minha eficiência na execução das atividades.

Como pessoa, tenho procurado repensar novas formas de melhor viver. Como designer, tento pensar, criar e viabilizar instrumentos para facilitar novas maneiras de existir. Entretanto, estes instrumentos só serão economicamente sustentáveis se houver suficiente demanda. Portanto, seria necessária uma redefinição interna dos consumidores (todos nós) para que estilos mais equilibrados de vida fossem adotados e se tornassem mercadologicamente relevantes.
Cândido Azeredo (Nódesign). (…em crise).



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6 respostas para “ REDESIGN INTERNO - parte 1 ”

  1. levi girardi Novembro 21st, 2008 11:19

    Caro Cândido em Crise

    De tempos em tempos precisamos passar por uma reavaliação das nossas atitudes, hábitos, comportamentos. Percebemos que precisamos disso em momentos de grande felicidade ou tristeza, em geral o último. E a busca é sistematicamente da forma que você colocou no seu excel (mania de administrador: quer entender algo, bota no excel): aumentar atividades de nos engrandeçam como seres humanos bacanas (cuidados pessoais, melhor relacionamento com o meio etc) e reduzir aquilo que claramente é tempo perdido (afinal tempo é um recurso natural natural não recuperável), como trânsito, trabalho remunerado ou não porém improdutivo etc.
    Achar meios, produtos ou sei lá o quê que nos ajude a ocupar de forma mais “sustentável” o tempo passa sem dúvida pela nossa atividade de design.
    Na verdade, acredito que tudo o que fazemos tem como grande objetivo a busca por um “viver” mais pleno.

  2. cadu questto Novembro 21st, 2008 11:58

    Querido Cândido,

    Queria acrescentar um pouco de minha visão da vida. A dica que tenho pra te dar é a seguinte, quanto mais dedico meu tempo e atenção às pessoas e coisas que amo, mais o meu tempo se multiplica. Sugestão para o “Diagrama de Cândido”… Talvez, daí você tenha umas 27 a 28 horas para tuas tarefas. Existem atividades que podem ser executadas em paralelo. Não sou equilibrado, longe disso, mas acho que estou no caminho. Durmo menos do que deveria, isso é certo. Me faço presente, mesmo quando não estou presente.
    May the froce be with you!

  3. cadu questto Novembro 21st, 2008 11:59

    May the force be with you, digo…

  4. Cândido Novembro 22nd, 2008 11:27

    Você tem razão. Esse diagrama freak é coisa de doido, pois a vida não funciona assim. Essa idéia das atividades paralelas é corretíssima. Em um outro post irei tratar dela e da “terceirização do tempo”, outra maneira de lidar com as atividades pra que possamos nos dedicar mais às coisas que amamos. Grande abraço.

  5. green card Dezembro 3rd, 2008 20:37

    Há alguma informação sobre este assunto em outras línguas?

  6. Cândido Dezembro 4th, 2008 11:38

    Não pesquisei a respeito, mas acredito que sim.

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