Arquivo de Dezembro de 2008
Consciência dói

Tomar pé do que se faz, diariamente, seja embebido no cotidiano cosmopolita de uma grande cidade, seja tocando gado num remoto planalto qualquer da savana africana, não apenas custa tempo, educação, vigilância crítica, mas implica na revisão dos prazeres hedonistas aos quais crescemos habituados na sociedade de consumo do ocidente – particularmente aqueles sob a órbita de influência cultural e corporativa dos EUA, como o é o nosso Brasil.
Comer um bife com fritas, levar o filho à escola de automóvel, assistir um jogo do Corinthians na tevê, tomar uma garrafa de água mineral são pequenas coisas de nosso cotidiano que seguramente não terão o mesmo significado trivial para o cidadão crítico que se está configurando para as próximas gerações. Agora me diga: tem algo que parece mais inocente e puro que uma garrafa de água mineral?
Há, no ar, um grande vazio, quiçá espiritual, preenchido pelo hedonismo. Numa sociedade de consumo, este hedonismo se manifesta nas diversas facetas, evidentemente, do consumo. Comida, bens materiais, sexo, cultura. O que faz a mulher solitária do engenheiro gringo extraditado que é enviado pela multinacional a um país qualquer do terceiro mundo construir outra mina extrativista? Vai às compras. O que faz o sujeito que chega à miserável casa após um dia fatigante de trabalho insosso e sem-sentido? Vai ao televisor. O que faz a elite vaidosa quando fracassa em manter a forma estética predicada pelos meios e pela propaganda? Vai à mesa de cirurgia. O que faz o jovem burguês mal amado quando tem que enfrentar o abandono dos pais separados ou que trabalham demasiado? Vai às putas.
Aos pouquinhos percebe-se a sociedade civil reagindo das mais diversas formas: regulando, fiscalizando, assistindo, tentando desesperadamente consertar com band-aid o buraco na represa. Mil ONGs e pequenas ações locais ou globais refletem a crescente insatisfação com o modelo hegemônico que nos ensinaram na escola. Mas atenção: é o despertar da unha do dedo mindinho; o buraco é bem mais embaixo.
Quem começa a perceber este vazio pode tomar a pílula azul, entrar em um estado de constante torpor e ignorar os sinais claros que tudo – absolutamente tudo – está errado ou pode tomar a vermelha e decidir controlar as próprias ações, percebendo a profundidade e as conseqüências de seus atos. É aí que entra o bife com fritas.
Não está mal desfrutar coisas prazerosas da vida; está mal projetar a felicidade no consumo de coisas vendidas como prazerosas. Pior: consumir em exagero ou sem perceber uma conseqüência ecológica. Afinal, o que pode ter a ver meu prosaico bife de coxão mole com a fome no mundo?
Marcelo Santos (marcelolbsantos@gmail.com)
42 comentários »BOLINHAS DE NATAL
O Natal esta chegando e com ele uma lembrança (aflição) que me persegue a muitos anos.
Nunca entendi direito como tantas famílias, por anos, puderam utilizar em suas árvores de Natal aquelas bolinhas de vidro, vcs lembram?
Acho que era uma das coisas mais perigosas que já fizeram. Lembro-me de minha mãe falando para manter distância delas. Lembro-me também do cuidado que tínhamos que tira-las da embalagem… Quando alguma delas quebrava o vidro era tão fino que ficava praticamente impossível de recolher tudo. Por dias a área afetada dava medo.
O engraçado é que essas bolinhas para uma criança representam um estimulo enorme. São redondinhas, com cores fortes e brilhantes, estão na árvore de natal junto com os presentes, etc. Elas estão praticamente berrando - Me peguem, me peguem!!!!!!
Alguém deixaria uma lâmpada na mão de uma criança????
Até que enfim elas foram sendo substituídas pelas de plástico e outros materiais menos perigosos. Não sei o porquê vivemos por muito tempo com objetos tão pouco amistosos e tão simples de serem substituídos.
Bom Natal!!!
Léo
39 comentários »É para abusar deles!
Impressionante o poder dos sentidos. Nunca tinha reparado como suaves e inconscientes sensações mexem com o ser humano. Quando bem aplicadas e de forma bem sutil, a conquista é garantida, e uma injeção de borboletas no estômago parecem brotar. Reparei nesse fato em uma das minhas andanças em plena época de Natal. Segunda feira, shopping lotado, hora do almoço. Gente correndo pelos corredores, de olho no relógio e lista de compras nas mãos, quando de repente…”Nossa, que cheiro é esse?”. A hora vai para segundo plano por alguns instantes e a mente é tomada pelo desafio de rastrear a informação não identificada.
Lojas como a Lush, colocam mais gente para dentro do seu espaço do que muita megastore, só pelo perfume que seus sabonetes espalham corredor a fora. A loja tem cara de doceria. Fiquei uns 10 minutos na frente da loja, vendo a reação das pessoas que passam em frente. É quase uma seção de hipnose.

A Osklen é outra, que apostou na identidade sensorial e hoje, já conseguiu a dádiva de ser identificada apenas pelo seu cheiro. “Todos os aspectos do mundo físico nos afetam (luz, cheiro, som, toque, imagem) estamos, portanto, numa era sensorial” – disse o designer Karim Rashid, que desenvolveu para Melissa, sandálias com aroma de baunilha. Antes de calçar, as pessoas ás aproximam do nariz.
Fato. Fui atrás de outras mentes avançadas como estas, que já entenderam que surpreender é obrigatório para conquistar o mercado. Quis conhecer outros seres que estão focados em abusar dos sentidos, ou então relembrar aqueles que já temos na memória, como os que o Barão descreveu de forma surpreendente dias atrás. Os estilistas Viktor & Rolf, são 2 que apostam suas fichas nas sensações. Fizeram uma loja totalmente de ponta cabeça na Itália. A
idéia é causar impacto, irritar e provocar. Conseguiram. O efeito é imediato. Dizem que até tontura dá.
A marca russa Emperor Moth, brinca com luzes e ilusão de ótica. A estilista diz que “bater a cabeça também é uma experiência. Aplicar a sensibilidade só nas roupas não foi suficiente, a loja é um mistério, cercada por espelhos, cores fortes e espaços inexistentes.”.
Para os que se expressam com desenhos em muros, saibam que os sprays já não causam mais tanto impacto. A grafiteira húngara Edina Tokodi é uma artista de rua que não usa tintas. Trabalha com volumes. Para entender sua arte, o tato é obrigatório.
Bom, não achei nada de surpreendente que tenha explorado o som… Alguém conhece? Para não passar em branco, tomei a liberdade de dar um berro, mesmo que por escrito:
ATENÇÃOOOOOOO, AGUÇAR OS SENTIDOS É UMA TENDÊNCIAAAAA!!!!!!!
Explorem. Não tem erro.
Giovanna Barbieri (produtora do GNT Fashion e pesquisadora de tendências) giovannabarbieri@gmail.com
15 comentários »Gambiarras no corpo
Marcia Nolte, fotógrafa holandesa, criou o trabalho “Corpus 2.0”. Consiste em uma série de retratos que mostram partes do corpo humano adaptadas para melhor se adequarem aos produtos usados no cotidiano.
Ombro alterado para pendurar bolsa e segurar telefone no ouvido:

Orelha alterada para encaixar o fone de ouvido:

Achei interessante como esse trabalho chama a atenção para algumas inadequações sutis do design de certos produtos. Se eles fossem totalmente adequados ao uso essas modificações no corpo humano não fariam sentido. Confiram o restante do trabalho. Vale uma reflexão…
Cândido Azeredo (Nódesign).
198 comentários »CADA UM NO SEU QUADRADO!!
Tudo bem, a globalização é um fato! Não dá para negar que a cada dia nosso mundo é menor, que a economia é global, que todo o sistema é interdependente e que diversos traços culturais são semelhantes entre nações tão distintas.
Vale lembrar que esse fenômeno não se estende a tudo. Precisamos estar atentos, pois existem diversos aspectos que não são “globalizados”, principalmente quando pensamos produtos.
O modo de usar ou interpretar os objetos e seus significados possui suas peculiaridades nas diferentes culturas. É preciso estudar a história de cada povo e suas nuances para que possamos entender porque carros nos EUA, são sinônimos de BANHEIRAS GIGANTES e na Europa ou Japão, apesar de cumprir a mesma função, são produtos infinitamente menores.
Os objetos retratam um momento, uma sociedade e suas características. Essa é uma das maneiras que os arqueólogos constroem suas teses sobre povos antigos. Como designers e fazedores da cultura material, ajudamos a contar essas histórias e a preservar suas peculiaridades, seus costumes, características, etc.
A foto abaixo, foi tirada quando estive em Cingapura. Nesta viajem pude utilizar dois ônibus intermunicipais e em ambos encontrei essa realidade…
Eu que tenho 1,83m ( nem sou tão alto) sentava assim. Ok. Foi feito para aquele povo, daquele pais, que tem aqueles costumes e que de forma geral são menores…
CADA UM NO SEU QUADRADO!!!
LÉO
Sem comentários »os objetos na memória dos sentidos
Este post não tem fotos. É sobre os objetos do dia a dia e como eles desencadeiam memórias. Apenas imagens visuais reduziriam muito estas cenas da nossa memória que são repletas de cheiros, sons, texturas, gostos…
Os objetos na memória dos sentidos.
Cheiro de borracha de bexiga que lembra festa de aniversário com fiapos de papel crepom de bala emaranhados, que lembram fiapos de folha de caderno espalhados, junto a sobras de borracha na carteira que, borrada de grafite, lembra as paredes xingadas nos banheiros que lembram o cheiro de fim de festa de rua, com barulho já baixinho de bloco ao longe, que lembra barulhinho de riacho com pedra, mato e cheiro de terra molhada, que me lembra a pele úmida e enrugada como a da minha nona, que lembra o cheiro de avelã verde e vinho em tonel, que lembra adega escura, tão escura quanto o quarto da minha vó, que lembra o som de cuco e o toque de novelo e a novela lá no fundo, na tela que, quando ia tão perto com meu braço, punha meu pelo em pé, como se faz quando se beija pela segunda vez, que lembra da primeira, com o rosto avermelhado, que lembra colchão a secar no varal e a roupa quente e com atrito, que faz recordar da lã a pinicar em cima da gola da camisa, comprada na venda de cidadezinha como aquela da canela no curau ou do curado do queijo branquinho meio folgado sob o plástico molhado que lembra a bóia de braço ao ser posta com força, lembrando o cabelo molhado e esticado da maria-chiquinha ao ser feita, que lembra o banho com o som das gotas quentes sobre o plástico da cortina que encostam já frias na canela, enquanto a toalha com capuz espera pra secar, fazendo lembrar do enxaguar do barbeiro antes de tesourar em movimentos ligeiros com som que lembra morcego em forro de casa velha, daquelas que tem madeira que range no piso e assento de couro escuro que arranha no rasgo ao sentar e, a pele quente sua, quando encosta, como banco de fusca, que lembra a vizinha das caronas à natação, que lembra o cheiro do vapor com cloro e a ponta da orelha, hora fora e hora dentro da touca, que lembra óculos apertado, emprestado em urgência de dia claro com luminosidade que dói atrás do olho, como algumas febres, que lembram o gosto de alguns xaropes que nos fazem odiar o vidro ambar, mas também lembram os chás que entram quentes provocando uma dorzinha gostosa na garganta inflamada, que lembra a dorzinha gostosa do gás da coca tomada em excesso num acesso de calor, que lembra o sol e o mar e a pele irritada junto ao isopor da prancha dos jacarés de antes dos jacarés de de fim de férias com camiseta molhada e rosto descascado que junto ao lençol incomoda o sono, que lembra a cama macia, a coberta quente… o corpo deitado… a luz pouca ao fundo… o pé sem peso… o cafuné… o silêncio… e os diversos sabores dos sonhos…
abs,
BARÃO
ENGANOS DA MÃE NATUREZA.

Sempre acreditamos na supremacia da inteligência da mãe natureza. Tanto de forma religiosa ou de forma acadêmica estamos habituados a observá-la como um exemplo de coisas que funcionam. Para nós designers nem se fala… Como já comentado aqui, a biônica é um grande campo de estudo.
Não podemos esquecer que existem excessões e que tudo na vida tem alguma falha. Assim como vc jamais encontrará a mulher ou o homem perfeito ( mesmo que seja quase, terá chulé certeza) a natureza também não foge a regra.
Já parou para analisar um Pé de Jaca?
É quase um crime contra a humanidade. É um perigo eminente. Nunca havia passado em baixo de um e quando passei descobri que a sensação é assustadora. Meio como uma roleta russa…. Vc não sabe se vai cair na sua cabeça ou não. A prova que eu não estou falando bobagem e que realmente o pé de Jaca é um bug do meio ambiente vem da própria natureza. Observemos a Melancia. Seu projeto é mais bem acabado… Se é grande e pesado, nasce no chão. Não vai matar ninguém, ta fácil de tratar e de colher e também tem poucas perdas devido as quedas. Como é acessível e mais vulnerável a ataques, sua casca é grossa e a protege. Bem feito não é?
O coqueiro por mais que também seja um potencial assassino, sua arma está dentro de um pequeno raio de atuação (seu tronco) indicando o espaço seguro de trânsito. É só não ficar dormindo em baixo, simples assim!!!
O pé de Jaca não!!!!!!! Seu fruto é gigante!!! É singelo chamá-lo de pé, pois é uma arvore imensa que leva os frutos a uma altura potencialmente mortal. Outro problema grave é que os frutos estão em toda parte do “pé”. Eles não se concentram no tronco e estão espalhados pelos galhos assim como simples maças… Ficam ocultas entre as folhas, apenas aguardando algum desavisado…
Talvez, o engano tenha sido o seguinte: Morangos eram para estar no alto e Jacas no chão. Morangos são sensíveis, vulneráveis, leves e não oferecem risco de vida.
Ou foi um engano, ou a natureza tem um ótimo senso de humor não acham?
Léo
29 comentários »Das Enciclopédias para a Internet. Da biblioteca para a Wikipedia
Peço mais coisas para o Google do que para o São Longuinho ultimamente.
Queria escrever sobre as milhares de ferramentas tecnológicas que usamos para pesquisar hoje em dia, mas no meio do meu primeiro post para o blog da Nó, acaba a luz. Ok,ok…respira, já vai voltar!
1 hora, 2 horas…minha impaciência chegou ao ápice. Decidi sair para rua. Já que a lei de Murphy me escolheu hoje e a Eletropaulo decidiu se divertir comigo sugando todas as minhas energias. Comecei a andar pelo bairro, para olhar as pessoas.
A primeira pessoa que dou de cara foi com uma senhora numa pracinha, saindo de um New Beetle amarelo, com um patins a tiracolo e com o neto no banco de trás, que logo abriu a porta do carro comunicando a avó que ele vai querer outro Ipod de Natal. Que o dele só tem 60 GB, já está pequeno e não é colorido. Não serve mais.
Como?! O menino devia ter uns 7 anos de idade. Duvido que ele tenha usado ¼ da memória do aparelho.
Bingo. Caneta e papel na mão. Assim, faço a estréia do meu primeiro post: Sobre consumo e tendência.
Lembrei de uma das matérias que fiz para o GNT Fashion, com um destes novos coletivos
que trabalham com o feeling e vendem suas apostas como produtos e serviços para as grandes empresas. Lembro bem que se diziam “drivers”, seriam como os olhos sobre o comportamento dos consumidores. Mentes como essas, acreditam que estudar uma tendência de comportamento é a intersecção entre a ciência e a imaginação. Vêem o mercado sempre de forma mundial e nunca global. O passaporte obrigatório agora, é a mundialização. A globalização é muito integra e cheia de barreiras.
A Apple era um dos fenômenos a ser discutido. Não pela sua fantástica agilidade de criação, inovação e volume de vendas. Mas, pela forma que trabalha seus consumidores.
Mais do que pensar no produto que os consumidores desejam ou no que será lançado na próxima estação, sabe entender todas as emoções, comportamentos e reações até o ato da venda. A expectativa termina quando a compra é efetuada. A realização tem duração curta. Incomparável com o tempo em que a mente se ocupou com o desejo…. e é aí que eles fazem fortunas.
Esse é um exemplo do consumo do vazio, ou do invisível. É uma tendência que vem sendo muito explorada, uma das grandes sacadas da Apple que com certeza, divide o ranking com os Ipods e Macbooks.
Bom, voltou a luz, hora de voltar…
Ah! Só esqueci de dizer que a senhora com o netinho que saiu do New Beetle amarelo, era japonesa e estava vestida com uma camiseta do David Bowie, diga-se de passagem!
Mas essa história já é a tal mundialização, e isso fica para o próximo post…
Giovanna Barbieri (produtora do GNT Fashion e pesquisadora de tendências) giovannabarbieri@gmail.com
9 comentários »BIOMIMÉTICA
A Biomimética ou Biônica é a área da ciência que estuda as estruturas dos seres vivos (forma, função, composição, dinâmica, inter-relação, etc.) construída ao longo do tempo pela seleção natural [coloco de lado a discussão sobre a provável autoria divina dessas estruturas]. O grande propósito é fazer um benchmarking do design da natureza (do que ela criou e testou por milhões de anos) para aprimorar o que nós criamos artificialmente. Assim como o design, essa área de pesquisa é multi e interdisciplinar e suas descobertas podem afetar todas as outras ciências e áreas da economia. O design que se utiliza dos conhecimentos gerados por essa ciência ou baseia-se no estudo dos seres vivos para orientar suas criações, denomina-se Biodesign.
Um exemplo clássico disso é o Velcro, inventado pelo engenheiro suíço Georges de Mestral, em 1941, depois de analisar as sementes do carrapicho e como elas se agarravam às coisas.
Outro exemplo mais recente e complexo é o tecido colorido Morfotex, feito de Nylon e Poliéster, pela empresa japonesa Teijin. Seu biodesign baseou-se na borboleta Morfo Azul que possui asas com coloração azulada intensa e metálica, mas que não possui pigmentos dessa cor. O efeito de cor é obtido através das microestruturas da sua asa em forma de canaletas. Essas estruturas possuem vãos da mesma dimensão do comprimento de onda da cor azul. Dessa maneira, quando a luz do sol bate em sua superfície apenas o azul é refletido, enquanto os demais comprimentos de onda (cores) são absorvidos. Além disso, sucessivas ondas da cor azul incidindo sobre essas canaletas fazem com que haja uma interferência construtiva, gerando um aumento na amplitude da onda e conseqüente intensificação do brilho e da cor.
As tramas do Morfotex simulam essas microestruturas, dando origem a um tecido colorido sem a necessidade de tingimento e cuja coloração nunca se desbota ou altera.
Cândido Azeredo (Nódesign).
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