Design, inovação e outras coisinhas a mais.

Arquivo de Fevereiro de 2009

Sobre seleção natural ou de onde vem o desejo…

orquidvespa 1 2 - orquidvespa 1 2
a orquídea e a vespa

A proposta dele foi clara:
- Escreve alguma coisa pro blog!?
-Claro – respondi, ali na calçada, sem refletir, ainda sob efeito de nossa conversa recém interrompida (nunca finalizada) pela obviedade do tempo e de nossos afazeres.
Achei então que o melhor seria justamente aproveitar o gancho da qualidade de nossa troca e desdobrá-la aqui, na forma de palavras. Ou seria mais honesto dizer, continuar a sublime confusão de idéias que sempre restam desses encontros com o inquietante Barão. : )
Em algum lugar entre o tarô mitológico, a crise econômica, o Flusser, os relacionamentos e o Biodesign, falávamos de um incrível conceito de: SELEÇÃO NATURAL DOS OBJETOS!! Que Darwin nos perdoe por essa sobreposição, mas conceitos como adaptação e evolução cabem como uma luva (pra usar uma expressão bem “designiana”) na nossa imaginativa trajetória.
Além do mais….design nunca foi mesmo um exemplo de vocabulário próprio, né? A gente se apropria o tempo todo das “ciências” vizinhas pra conseguir se expressar, seja a música: -huumm, isso não está harmônico!!
ou a física!
-precisa de mais leveza!
Ou qualquer outra região do conhecimento que consiga explicar o “gostoso de pegar” ou as onomatopéias todas, acompanhadas de movimentos com as mãos! [1] Então por que não a biologia??
Por exemplo, eu não consigo imaginar um dia a gente não precisar mais de um copo, assim como eu não pude imaginar no passado que hoje precisaria tanto de meu mp3 player, assim como dou graças a deus de poder usar hoje um sutiã, e não um espartilho!
Eu poderia simplesmente dizer que são processos sociais e tecnológicos que o design catalisa e transforma em objetos ou, são questões de marketing e consumo.
Mas olha, talvez aquele objeto simplesmente não tenha “sobrevivido”! Na venda, na produção ou no desejo de alguém. Ele não se adaptou a seu “ecossistema” e desapareceu, enquanto outros, evoluíram e tornaram-se indeléveis de nossa cultura material!
Quem primeiro me falou em design e ecossistema foi o Carmelo di Bartolo, professor italiano, especialista em Biônica e novos materiais. Estive em seu escritório em Milão, um espaço muito interessante onde computadores coexistem com muitas plantas, eu me senti verdadeiramente em uma estufa! Lá ele me disse: - o designer tem que saber se adaptar ao ecossistema dos objetos!!
Poxa, são eles se adaptando e somos nós também, eles existindo, nós escolhendo. Pois é, foi di Bartolo também que disse uma frase que adoro e que uso a rodo em sala de aula (outra expressão “designiana”). Ele disse que “fazer design é escolher pelos outros”.

ju e carmelo 1 - ju e carmelo 1
Juliana Bertolini e Carmelo di Bartolo no estúdio do professor em Milão

Os designers fazem escolhas dentro de seus desejos, destas dá forma a alguma coisa [2] , que ressoe com o desejo de alguém, ou então o provoque, e aí acontece um encontro, um encontro de desejos! Pode ser que o encontro não aconteça! E aí talvez aquele objeto tenha que deixar de ser: desejo solitário e estático.
Como não lembrar de uma cena do filme “Adaptação” contando a paixão de alguns insetos por algumas orquídeas, que por terem a forma muito semelhante a eles, os fazem pensar que são seus pares. Então pousam ali e começam um “acasalamento” solitário. A orquídea não é seu par, mas o inseto a ama, iludido pela falsa imagem, e é graças a essa atração “cega” que a orquídea é polinizada e segue existindo. Se não houvesse essa paixão, não haveria polinização.
Então a continuidade ou não de alguma coisa,,,será tudo uma questão de paixão?
Ah, o amor….

[1] Não pude deixar de lembrar da bela exposição “Che cosa è il design italiano?”, que tive a felicidade de ver na Trienale em Milão ano passado. Na tentativa de enumerar os elementos que influenciam o design italiano, o primeiro era: la mímica! “ A teatralidade é uma antiga fonte que ainda influencia o design italiano” .Será que isso explica toda a movimentação de mãos?? Mas isso dá um outro texto…

[2] Segundo Heidegger, uma coisa é um não-nada! Uau,,,isso dá outro texto…

Juliana Bertolini (designer/estilista/professora/pesquisadora e muitas coisas mais) - www.julianabertolini.com
jubertolini@gmail.com

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Design Thinking

Design Thinking mostra-se cada vez mais importante nas empresas, principalmente no momento em que vivemos.
É uma disciplina que se utiliza da sensibilidade e métodos do designer para gerar novas oportunidades de negócios ou resolver problemas a partir das necessidades dos usuários.
Através da criatividade, busca a divergência de idéias, a exploração e a experimentação. Analisa e sintetiza os problemas e soluções integrando os diferentes interesses e pontos de vistas.
Em um mundo cada vez mais complexo e integrado, o Design Thinking mostra-se capaz de propor novas maneiras de interagir e criar oportunidades de forma rica e eficiente.
Abaixo segue um videozinho que acredito colaborar um pouco para a compreensão dessa abordagem.

Léo

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Já que não é para mim, então ta bom né

Na praia deparei-me com uma sacada de marketing muito bacana. A Brahma decidiu fazer carrinhos de chope para vender seu néctar na areia, literalmente beira mar. Até ai tudo bem e bastante interessante ( fora o preço - R$ 5,00).
O Lance é que alguns detalhes de projeto foram esquecidos e rolou um certo constrangimento… Veja o vídeo abaixo-

O cidadão precisa empurrar um carrinho feito com três rodas pequenas e não apropriadas para areia fofa. A roda da frente na verdade é quase uma âncora! Fora o peso do néctar que para diminuir eles tinham que ir tomando chopinho ao longo do trabalho… Imagina no final da tarde o cara breaco. Outro detalhe é o sistema de contra peso que poderia ser feito com o posicionamento das rodas e da carga.
Nunca foi tão verdade o ditado - “ Empurrar o trabalho com a barriga”.

Olha como é mais simples esse carrinho:

Léo

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Vendendo conceito

A Champs-Élysées em Paris parece se tornar um salão de automóveis permanente. Me surpreendi com a quantidade de lojas e o movimento que elas geram. Os carros estão expostos, mas o que vendem são os conceitos das marcas traduzidos em seus produtos que variam desde chaveiros, camisetas e bonés - brindes típicos associados ao universo automobilístico - até utilitários domésticos. Os ambientes criados com os carros expostos ( já no mercado ou projetos conceituais) produtos afins e música, atraem os transeuntes que por ali passam e que acabam entrando na loja, nem que seja para tirar uma foto ao lado do seu modelo preferido. Marcas como Peugeot, Renault, Citroen, Mercedes e Toyota já garantiram seus espaços de destaque, não apenas na avenida, como nos álbuns de fotos de viagens de milhares de turistas.

Carros - Carros

Marina Chaccur (design@marinachaccur.com.br)

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