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RELATOS DE UM DESIGN/ER QUASE IGNORANTE.

jornal - jornal

A imagem de meu pai ou figuras importantes lendo seus jornais pela manhã com uma fumacinha saindo de suas xícaras de café ou aqueles executivos que em seu horário de almoço lêem o noticiário todos dobradinhos fazendo-se parecer os caras mais importantes e inteligentes do mundo, sempre me seduziram muito. Acreditei por anos que esse era o meio correto para ser uma pessoa informada, porém desde o inicio de minha vida adulta tentei ler o dito cujo, sempre sem sucesso.

Indignado com a situação que beirava a ignorância, comecei a refletir sobre o que me fazia não exercer essa pratica. Percebi então que muitas de suas características me incomodavam: Quem de vocês não acha ruim ler naquele papel fino e sujo? Quantos sabem dobrar sem criar aqueles vincos horríveis ( tente dobrar o jornal com solavancos para frente e para traz como os mais antigos fazem…é pura arte), sem falar na bagunça de folhas espalhadas que beira o caos. Minha experiência com leitura de jornal sempre foi similar em buscar um endereço naqueles mapas gigantes que compramos no farol – Abre-se um monte de folhas e gravita por cima como um pássaro localizando a informação.

Dei-me conta em minha última tentativa de ser o cara da xícara fumegante, que nem sequer achar a página do noticiário fui capaz. Simplesmente não encontrava a numeração das páginas.

Para que aquelas folhas tão grandes que doem o braço só de imaginar ter que segurá-las? Se dobrar, me sito lendo um pergaminho. Pagar por toda a informação sendo que lerei apenas 10%? Gastar todo aquele papel em plena crise ambiental? Sujeira? Diagramação amigável? Hipertexto? Sem dúvida alguma, em épocas de inovação poderíamos imaginar outras formas de se relacionar com esse patrimônio tão importante para a nossa história.

Imagino que o jornal poderia ser repensado em sua essência. Desde o primeiro periódico publicado em 1605 o Nieuwe Tijdinghen na Antuérpia, ele continua basicamente o mesmo. Apesar das imensas conquistas nos sistemas de produção como a inserção do telégrafo, linotipia, prensa rotativa ou a fotocomposição, o produto final basicamente é o mesmo. Em períodos tão dinâmicos com internet, e-books e outras coisas mais, me assusto ao imaginar que essa inércia continue e leremos nossos jornais com a mesma dinâmica atual em nossos Kindles, ireaders, etc.

No fundo ainda tenho vontade de consumá-lo e aproveitar seus benefícios. Se Darwin não agir anteriormente, quem sabe não me convenço nas próximas evoluções e deixo de comprar jornal apenas quando pinto minhas paredes.

Com mínimo esforço e apenas graficamente, esse rapaz do vídeo abaixo já promoveu um grande salto. Sem dúvida uma experiência de leitura gratificante.

Give power to designers!

Léo



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3 respostas para “ RELATOS DE UM DESIGN/ER QUASE IGNORANTE. ”

  1. Cândido Abril 25th, 2009 01:25

    Não fique triste, meu amigo, por não ter se rendido à mística dos jornais. Posso lhe dizer com propriedade, pois sou um viciado da xícara fumegante… não só assino dois jornais, mas meu café é de coador! Portanto lhe digo, você tem toda razão em se sentir incomodado e não vale a pena engolir esses aspectos negativos dos jornais. Precisamos sim lutar para melhorá-los, como fez Utko. Nós, designers, poderíamos contribuir com isso, enaltecendo suas características prazerosas e superando as desagradáveis, mesmo que isso significasse criar um novo suporte.

  2. léo Abril 26th, 2009 04:11

    Fico mais aliviado em saber que um leitor voraz como vc apóia essa manifestação.
    Abraços
    Léo

  3. Bueno Abril 28th, 2009 11:40

    Adoro jornal e design gráfico principalmente, mas me sinto um pouco infeliz com a minha atual situação, sou designer gráfico e trabalho como diagramador de uma rede de jornais do interior de SP, achei fantástico o vídeo do Utko, seria um sonho se o jornal onde trabalho fosse assim..eheheh. Nunca trabalhei em outro jornal, mas acredito que o dia-a-dia seja parecido com o meu, os repórteres e editores sempre querem mais texto, e esquecem do design (projeto e função)e do branco que é proibido(já fui até xingado por ter deixado um branco em uma página e tive que refaze-la), isso me deixa muito triste pois sempre tenho que fazer páginas pesadas e nunca temos tempo pra criar, é tudo em cima da hora, e não adianta tentar convencer alguns editores que ficaria melhor deste jeito ou daquele, porque eles não vão aceitar a opinião de um diagramador, afinal ele tem muito mais experiência do que eu e a minha opinião não vale nada pra ele, ele pode até concordar, mas a página será feita do jeito dele.eheheh
    Espero que essa atitude de fazer páginas com textos imensos e quase nenhuma foto acabe… e que nós designers possamos ter mais prazer e satisfação em fazer uma página e não só ficar apertando botões e usando bibliotecas…
    Bueno

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