DESCONSTRUINDO PARADIGMAS
A matéria “França acrescenta felicidade na conta do PIB”, no jornal Financial Times de 14.09.09, é mais um sintoma de uma mudança silenciosa que vem ocorrendo nos últimos anos. Cada vez mais as pessoas se conscientizam de que as promessas de bem-estar do capitalismo, tal qual vem sendo adotado por mais de 80% dos países no mundo, são em grande parte ilusórias e insustentáveis.
Uma parcela dessas pessoas tem se dedicado a mudar tal realidade. Não se trata de uma nova onda revolucionária que irá derrubar o sistema, mas um movimento de transformação parecido com a ação de células cancerosas, em que cada uma modifica a célula vizinha.
A matéria citada acima fala sobre o trabalho de um desses grupos, dedicados a apontar novos caminhos, a Comissão de Mensuração da Performance Econômica e Progresso Social. Capitaneada por Joseph E. Stiglitz e Amartya Sen, esse grupo de renomados cientistas basicamente tem estudado novos indicadores de desempenho para serem incorporados aos sistemas de contabilidade econômica dos países e que consigam melhor refletir o real estado de desenvolvimento de uma nação. Uma das principais mudanças sugeridas pela Comissão é incorporar ao cálculo do PIB fatores como o bem-estar dos cidadãos e a sustentabilidade da economia e dos recursos naturais de um país. O presidente francês Nicolas Sarkozy, um dos grandes apoiadores dessa Comissão, já declarou que irá incorporar esses fatores no cálculo de desempenho do país.
Um outro grupo dedicado a apontar novos caminhos é o do FIB - Felicidade Interna Bruta, que no Brasil é direcionado pela Dra. Susan Andrews.
Segundo Susan Andrews, “FIB é um indicador sistêmico desenvolvido no Butão, um pequeno país do Himalaia. O conceito nasceu em 1972, elaborado pelo rei butanês Jigme Singya Wangchuck. Desde então, o reino de Butão, com o apoio do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), começou a colocar esse conceito em prática, e atraiu a atenção do resto do mundo com sua nova fórmula para medir o progresso de uma comunidade ou nação. Assim, o cálculo da “riqueza” deve considerar outros aspectos além do desenvolvimento econômico, como a conservação do meio ambiente e a qualidade da vida das pessoas.
FIB é baseado na premissa de que o objetivo principal de uma sociedade não deveria ser somente o crescimento econômico, mas a integração do desenvolvimento material com o psicológico, o cultural e o espiritual – sempre em harmonia com a Terra. ”
O Nódesign vem acompanhando esses movimentos e faz parte do grupo de estudos “FIB nas Empresas”, dedicado à aplicação desses conceitos no dia-a-dia das corporações e nas propostas de valor que elas oferecem aos seus consumidores. Nosso esforço está em incorporar tais premissas no processo de inovação pelo design, para que produtos e serviços carreguem essas características no seu DNA e não sejam mais um blábláblá utópico. Não é nada fácil, tampouco imediato, mas valerá a teimosia…
Abs,
Cândido Azeredo (Nódesign).
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