Design, inovação e outras coisinhas a mais.

Arquivo de Janeiro de 2010

OPORTUNIDADES DE INOVAÇÃO NA CRISE ATUAL

gr  fico converg  ncia 1 - gr  fico converg  ncia 1

Na mentalidade de um designer que se prepara para criar e implementar uma nova proposta de valor é fundamental buscar informações que vão do micro ao macro e do específico ao geral. Na verdade, essas pesquisas antecedem a solicitação de projeto por um cliente. Temos que constantemente nos informar sobre as tendências mundiais em diversas áreas e, na medida do possível, participar delas. A realidade para nós é holística, dinâmica e sistêmica.

Este artigo escrito por Ignacy Sachs, Carlos Lopes e Ladislau Dowbor, coordenadores da iniciativa Crises e Oportunidades, ajuda a compreender as tendências mundiais e dá uma visão mais ampla e sistemática dos principais desafios que temos pela frente: o equilíbrio ambiental, a redução da desigualdade, a inclusão produtiva e a mudança do perfil dos processos produtivos em função das prioridades reais.

Abs,
Cândido Azeredo.

Sem comentários »

PODE-SE INOVAR TENDO O PASSADO COMO MODELO?

Nesse fim de semana visitei em Piracaia o projeto Waru, ainda em implementação, de um querido amigo. Ele é um designer gráfico que mudou seus valores e mudou-se de São Paulo, junto com sua esposa e filhos, para trilhar intensamente uma vida norteada pela Permacultura e pela Yoga, mas sem abandonar o design (na verdade, utililizou-o em seu sentido mais rico) e a tecnologia.

vista waru - vista waru

Em nossas conversas acabou me mostrando projetos nos quais se inspirou. Dois deles são muitos bacanas. O primeiro chama-se Las Gaviotas, na Colômbia. Uma vila fundada em uma região inóspita, em 1971, e que é modelo de desenvolvimento sustentável:

Paolo Lugari: Founder of Las Gaviotas (en espanol, with simultaneous English translation) from Kevin Hansen on Vimeo.

O segundo chama-se Path to Freedom. Uma família americana que decidiu na década de 80 tornar-se o mais auto-suficiente e gerar o mínimo impacto ambiental possível:

Além disso, mostrou-me dois livros que são referência para aqueles que buscam seguir os passos desses projetos: The Complete Book of Self Sufficiency, de John Seymour, e PERMACULTURE A Designers Manual, de Bill Mollison. Ambos muito bem ilustrados e didáticos, uma beleza.

Depois de conhecer e papear sobre esse material, uma questão surgiu. Todos eles têm em comum o uso de baixa tecnologia e a aplicação de princípios há muito conhecidos pela humanidade. De fato, parecem propostas coletivas já vistas, vividas e que foram deixadas de lado com o avanço da urbanização. Então, por que parecem tão fascinantes e inovadoras (entendendo inovação como uma nova proposta de valor criada que foi implementada e gerou resultados positivos), mesmo tendo sido testadas e abandonadas anteriormente? Será que decorre do fato de hoje vivermos e adotarmos valores muito diferentes? Será que porque tem um tom radical, utópico e exótico? Ou será porque é óbvio que nossa proposta de sociedade não está funcionando e estamos ávidos por caminhos que tornem nossa civilização viável? Seja qual for a razão, seria possível inovar utilizando valores já abandonados pela maioria?

Segundo Mihaly Csikszentmihalyi, em seu livro Creativity: Flow and the Psychology of Discovery and Invention, uma idéia implementada e que gerou resultado pode ou não ser considerada inovadora ou criativa dependendo da interpretação dos “especialistas” (autoridades de uma determinada área do conhecimento) e/ou da adoção da nova idéia pela maioria da população inserida em um contexto cultural. Eles que dirão se o resultado gerado é positivo e relevante o suficiente para que a idéia seja incorporada ao repertório cultural. Dessa forma, uma idéia implementada e que gerou resultado, mas que não foi considerada inovadora em um contexto específico, poderia ser julgada inovadora em outro ambiente cultural (como um momento histórico e geográfico diferentes).

Portanto, não seria razoável dedicarmos mais energia e atenção para estudar a história em busca de antigas idéias e valores? Será que existe a chance de encontrarmos aqueles que hoje contribuíssem para a construção de caminhos viáveis e que, sendo assim, fossem considerados inovadores em nosso beco sem saída?

Abs,
Cândido.

2 comentários »

WALMART E GRANDES EMPRESAS LANÇAM PRODUTOS MAIS SUSTENTÁVEIS

Participamos ontem do lançamento conjunto de 10 produtos mais sustentáveis que fizeram parte do projeto “Sustentabilidade de Ponta a Ponta”, criado e dirigido pelo Walmart Brasil e que teve a participação de 3M, Cargill, Coca-Cola Brasil, Colgate-Palmolive, Johnson&Johnson, Nestlé, Pepsico, Procter&Gamble e Unilever.

Esse projeto, pioneiro no varejo brasileiro, partiu da Análise do Ciclo de Vida do produto (da produção da matéria-prima ao seu descarte) para desenvolver ou promover alterações importantes em um produto do portfolio de cada empresa participante, buscando reduzir seus impactos socioambientais.

ACV CETEA - ACV CETEA

“Os produtos trazem diferenciais que vão da redução ou alteração do tipo de embalagem e matéria-prima utilizada, optando por opções recicláveis ou certificadas, à diminuição no consumo de energia, água e dos resíduos sólidos gerados”, disse Héctor Núñez, presidente do Walmart Brasil.

Foram 18 meses de projeto e mais de 3.000 horas de consultoria técnica. O papel do Walmart foi fornecer suporte técnico – representado pelo CETEA (Centro de Tecnologia de Embalagens) do governo de São Paulo – para todo o processo de desenvolvimento do produto, avalizando os resultados apresentados pelas empresas do início ao fim da cadeia produtiva. Além disso, a empresa ofereceu a garantia de compra, a visibilidade e exposição diferenciada desses itens no ponto de venda.

Abs,
Cândido Azeredo.

Vejam as melhorias conquistadas em cada produto:

Ler mais

Sem comentários »

ERGONOMIA LEVADO A SÉRIO

Eis o que eu chamo de ergonomia levado a sério. Pensar na multiplicidade de pessoas e na acessibilidade!!!!!

Cadeira 1 1 - Cadeira 1 1

Abraços
Léo

2 comentários »

INOVAÇÃO PELO DESIGN PARA A BASE DA PIRÂMIDE

hip pump 740 x 275 - hip pump 740 x 275

A empresa KickStart inovou em seu modelo de negócio, especializando-se em criar produtos acessíveis e de baixa tecnologia que ajudam pequenos produtores, principalmente em países africanos, a melhorar sua produtividade. Vejam o impacto social que ela gerou e os princípios de design que norteiam a criação e o desenvolvimento dos seus produtos.
Abs,
Cândido.

3 comentários »

COMUNICAÇÃO É A ALMA DA ADMINISTRAÇÃO PUBLICA

Conheci recentemente essa ferramenta - formspring.me - que possibilita as pessoas perguntarem oque desejam de forma aberta a todos e com sigilo absoluto de suas identidades.
Um uso muito interssante é da Soninha, da sub prefeitura da Lapa em SP. Um relacionamento direto e transparente com os governantes, administradores, etc. Sem duvida o cidadão que utiliza essa ferramenta para questionar, sente-se quase um cidadão Sueco, pois no caso da Soninha são prontamente respondidas, mesmo que de forma não conclusivas. Ao menos é um meio de participação direta no cuidado com nossa cidade. Tente vc mesmo caso seja morador dessa região.

formspring - formspring

Parabéns Soninha,
Léo

1 comentário »

Que orgulho!!!

Primeira vez que encontramos um produto que desenhamos falsificado. Que orgulho!!!falsificado - falsificado

1 comentário »

A vida é um píer.

DSC08289 1 2 3 - DSC08289 1 2 3

Foi na madrugada da minha última noite na ilha. Após me divertir com amigos, todos foram dormir e eu quis ficar um pouco mais. Fui até a ponta do píer e sentei. Naquele momento eu senti alguma coisa que até hoje não sei explicar. Parecia que eu pertencia aquele lugar ou que aquele lugar pertencia a mim. Fiquei confuso e emocionado. Sabia que algo tinha mudado em mim. O que era para ser uma despedida virou outra coisa. Tive a certeza de que eu veria aquela imagem muitas vezes mais: um braço do mar, um barquinho ancorado, o mangue do outro lado, e as montanhas ao fundo.
Este foi o dia em que me cansei de ser turista. Desde então é pra lá que vou quando quero viajar. Às vezes vou conhecer outros lugares: Europa, Nordeste, sul, etc. Ambientes de beleza mais arrebatadora que me deixam maravilhado e perplexo. Mais nenhuma outra viagem me deixa tão contente quanto para aquela vila que fica em um fino braço de ilha entre São Paulo e o Paraná.
Enquanto fico no píer sentado vejo barcos e lanchas passando. Imagino alguém lá dentro ticando uma Lista: “Ilha Comprida (X) Cananéia (X) Ilha do Cardoso (X). Hoje meu dia foi incrível! Conheci muitos lugares.” Mal sabem eles que eu, freqüentador da região há anos, só conheço um mini trecho da ilha com 150 metros de largura e umas 13 casas de madeira. Casas estas onde moram os descendentes de seu Malaquias e dona Erci - pais, avós e bisavós de todos que moram por lá. Tem a casa amarela, a casa da Teresinha, da Mariquinha, aquela que fica mais perto da praia… Não conheço todas e nem conheço a totalidade das vinte e tantas pessoas que moram por lá. Não tenho pressa. Não fiz minha lista. Procuro ser sempre cordial, pois “em terra alheia se pisa no chão devagar”, mas, sem me sentir um turista e nem um morador, não me vejo no dever de conhecer ninguém. Só conheço quem acabei conhecendo e, de muitos, me tornei amigo.
Não acho a ilha exótica e sei que não conseguiria morar lá. Eu não pertenço à ilha e a Ilha não me pertence. O que me faz sentir tão bem é ver que lá EU me pertenço.
Quando volto fico melancólico. Não tanto pela saudade da Ilha, pois sei que voltarei em breve, mas pela sensação de que retorno a um lugar onde eu sou menos do que lá. Meu tempo não é mais meu, meus argumentos são utilitários, meu sono é cronometrado, meu espaço é cheio de obstáculos e minha escala é pequena demais em relação ao entorno. Quando ando, sigo direções definidas bem demarcadas no chão.
O lugar chama-se Enseada da Baleia. Talvez existam pessoas que vão querer ir para lá tentar entender o que estou falando, mas já digo de antemão: a maioria vai ver uma paisagem como muitas outras que encontramos pelo mundo. Nem tão exclusiva quanto os Lençóis Maranhenses, nem tão impressionantes quanto Fernando de Noronha ou as Pirâmides do Egito. Vão ver uma praia do litoral sul de São Paulo, um barzinho, um píer e umas casinhas… Afinal, o que eu vi naquele píer não está lá o tempo todo e isto eu demorei em constatar. Um dia, chamei os amigos para dividir esta experiência. Chamei todos ao píer, fizemos um som. Todos bem juntos em meio à chuva. Esta energia se propagou e mais pessoas se juntaram. Parecia que tudo estava fazendo sentido. Até que o píer cedeu e as 15 pessoas amontoadas foram parar na água. Um acidente assustador. Por sorte o resultado foram apenas galos, arranhões, madeiras quebradas e histórias para contar. Nunca mais chamei ninguém para ir ao pier comigo. Um mês depois, voltei para a ilha e ele já estava refeito.
A cada ano que vou, o braço do mar está mais estreito e, em poucos anos, este lugar não vai mais existir fisicamente. A tristeza desta realidade ainda não chegou de todo ao meu peito, mas já me faz ter ansiedade por dois motivos: O primeiro diz respeito a o futuro dos moradores de lá. O que vai ser deles? O que é possível fazer para deixar esta realidade menos dura para esta família?
Já o segundo motivo é bem mais egoísta. Será que o píer vai existir até quando eu precisar dele? Será que poderei desfrutar dele até o momento em que eu consiga internalizar a conclusão que, embora óbvia, insiste em não ser óbvia de sentir?

Que o píer está em mim.

Abs,

BARÃO

3 comentários »