PODE-SE INOVAR TENDO O PASSADO COMO MODELO?
Nesse fim de semana visitei em Piracaia o projeto Waru, ainda em implementação, de um querido amigo. Ele é um designer gráfico que mudou seus valores e mudou-se de São Paulo, junto com sua esposa e filhos, para trilhar intensamente uma vida norteada pela Permacultura e pela Yoga, mas sem abandonar o design (na verdade, utililizou-o em seu sentido mais rico) e a tecnologia.
Em nossas conversas acabou me mostrando projetos nos quais se inspirou. Dois deles são muitos bacanas. O primeiro chama-se Las Gaviotas, na Colômbia. Uma vila fundada em uma região inóspita, em 1971, e que é modelo de desenvolvimento sustentável:
Paolo Lugari: Founder of Las Gaviotas (en espanol, with simultaneous English translation) from Kevin Hansen on Vimeo.
O segundo chama-se Path to Freedom. Uma família americana que decidiu na década de 80 tornar-se o mais auto-suficiente e gerar o mínimo impacto ambiental possível:
Além disso, mostrou-me dois livros que são referência para aqueles que buscam seguir os passos desses projetos: The Complete Book of Self Sufficiency, de John Seymour, e PERMACULTURE A Designers Manual, de Bill Mollison. Ambos muito bem ilustrados e didáticos, uma beleza.
Depois de conhecer e papear sobre esse material, uma questão surgiu. Todos eles têm em comum o uso de baixa tecnologia e a aplicação de princípios há muito conhecidos pela humanidade. De fato, parecem propostas coletivas já vistas, vividas e que foram deixadas de lado com o avanço da urbanização. Então, por que parecem tão fascinantes e inovadoras (entendendo inovação como uma nova proposta de valor criada que foi implementada e gerou resultados positivos), mesmo tendo sido testadas e abandonadas anteriormente? Será que decorre do fato de hoje vivermos e adotarmos valores muito diferentes? Será que porque tem um tom radical, utópico e exótico? Ou será porque é óbvio que nossa proposta de sociedade não está funcionando e estamos ávidos por caminhos que tornem nossa civilização viável? Seja qual for a razão, seria possível inovar utilizando valores já abandonados pela maioria?
Segundo Mihaly Csikszentmihalyi, em seu livro Creativity: Flow and the Psychology of Discovery and Invention, uma idéia implementada e que gerou resultado pode ou não ser considerada inovadora ou criativa dependendo da interpretação dos “especialistas” (autoridades de uma determinada área do conhecimento) e/ou da adoção da nova idéia pela maioria da população inserida em um contexto cultural. Eles que dirão se o resultado gerado é positivo e relevante o suficiente para que a idéia seja incorporada ao repertório cultural. Dessa forma, uma idéia implementada e que gerou resultado, mas que não foi considerada inovadora em um contexto específico, poderia ser julgada inovadora em outro ambiente cultural (como um momento histórico e geográfico diferentes).
Portanto, não seria razoável dedicarmos mais energia e atenção para estudar a história em busca de antigas idéias e valores? Será que existe a chance de encontrarmos aqueles que hoje contribuíssem para a construção de caminhos viáveis e que, sendo assim, fossem considerados inovadores em nosso beco sem saída?
Abs,
Cândido.
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2 respostas para “ PODE-SE INOVAR TENDO O PASSADO COMO MODELO? ”
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sim!!!
acredito nisso… de um jeito simples dá pra viver muito bem. é trabalhoso, ok. mas não precisa de mta grana…
viver sem fuder o lugar onde se vive…
as coisas mais óbvias não dão na vista, às vezes.
Ufa… fico aliviado por existirem pessoas que acreditam nisso… valeu, Ana.