O que é um Campo Mórfico?
Durante a última reunião do SOL iniciei uma interessante conversa sobre Campos Mórficos com minha colega Myriam Cadorin Dutra, Doutoranda em Comunicação e Cultura Organizacionais, professora e consultora de empresas. Depois da reunião nossa conversa encorpou. Em poucas palavras, esse termo descreve como a mente opera de forma expandida (para além dos limites corporais) e empática (em sintonia com outras mentes), criando conexões e trabalhando coletivamente.
Pedi a ela permissão pra tornar público nosso bate-papo, pois sinto que outras pessoas possam curtir, como eu, o seus pontos de vista e suas indicações. Segue texto da Myriam:
“A respeito de campos mórficos, acho que vais gostar de entrar em contato com um dos principais teóricos, Rupert Sheldrake. Dá uma espiada nos artigos dele.
No Brasil há algumas coisas traduzidas. Um livro que gosto muito é “A sensação de estar sendo observado”, publicado pela Cultrix, onde ele explica um pouco a questão da mente expandida e relata uma série de experiências sobre a comunicação por campos mórficos entre animais e seus donos. Também há várias palestras dele na Web. Uma que acho interessante:
Espero que gostes. Eu me apaixonei por esta hipótese teórica, e agora estou buscando compreender aspectos de Neurociências para entendê-la melhor.”
Segue minha resposta:
“Uoou… Myriam, acabei de assistir à palestra que indicou. Entre as inúmeras reflexões que isso deflagrou, gostaria pinçar algumas para entender melhor:
1-Existe no cérebro uma área específica responsável por esse campo mórfico?
2-Seria possível “treinar” ou “sensibilizar” as pessoas de um grupo (empresa, escola, time, família, etc.) para que elas estimulem a criação de campos mórficos?
3-Caso positivo, como podemos “treinar” ou “sensibilizar” as pessoas?
4-Quais as vantagens e desvantagens de um grupo operar em um intenso campo mórfico?
5-Uma pessoa capaz de construir campos com facilidade pode ser considerada uma pessoa mais empática (existe relação entre esses dois conceitos)?”
Respondeu a Myriam:
“Que bom que deu para assistir…..e, sim, é uma coisa mesmo que a gente fica meio zonzo, de tanta coisa que tem para conhecer. Quanto às tuas perguntas, não tenho um conhecimento profundo sobre isso, mas vamos ver se consigo te responder um pouco:
1-Existe no cérebro uma área específica responsável por esse campo mórfico?
Ainda não está muito claro isso. Certo é que a biologia sabe que isso existe entre plantas, entre animais, e, mais recentemente, entre animais e seus donos. Há muitos relatos sobre os campos entre árvores (quando uma espécie desenvolve imunidade contra um fungo, muitas outras também desenvolvem), entre pássaros (eles decidem comportamentos e ações de evolução em segundos, sem assembléias de decisão, sem treinamentos, sem mesa de reuniões e debates acalorados) e entre cachorros e seus donos (porque, acho, aqui o amor é incondicional). Em anexo coloquei um recorte do capítulo do projeto de tese que estou escrevendo sobre isso, e ali tem um resumo de tudo que pude encontrar a respeito. Está num texto acadêmico, então, desculpe as inúmeras citações e o formalismo. Ainda não pude transformar isso num texto mais digerível. Mas aos poucos vou avançando, embora a Academia seja um lugar difícil de se caminhar, porque tudo tem que ser provado com um método. Tem também um vídeo do Dr. Miguel Nicolelis onde ele conta experiências de níveis de realidade entre pacientes que saíram do corpo, etc (mais ou menos depois de uns 25 min do vídeo ele começa a contar isso).
Enfim….tudo está por des-cobrir. Como minha área é Comunicação, mais especificamente Recepção e Produção de Sentidos, meu ponto de vista fica um pouco restrito, e a minha tendência, em função da pesquisa de doutorado, é olhar as teorias por esta via, principalmente.
2-Seria possível “treinar” ou “sensibilizar” as pessoas de um grupo (empresa, escola, time, família, etc.) para que elas estimulem a criação de campos mórficos? 3-Caso positivo, como podemos “treinar” ou “sensibilizar” as pessoas?
Treinar eu não sei ainda….mas sensibilizar tem sido uma grande experiência para mim. Eu hoje acredito que estejamos, todos, sempre, inseridos em campos de ressonância e sofrendo a influência deles em nosso processamento de informações quotidiano, que acabam determinando a forma como vemos o mundo. Se o pensamento é um impulso ou uma onda elétrica, e se ele pode se comunicar com máquinas (como é fato), comandando ações, é certo que também estamos em comunicação com todas as outras coisas vivas do universo. A Cibernética se utiliza muito da transmissão por campos. Como minha crença nisso já é forte, nas consultorias de estratégia, ou nos projetos, ou em sala de aula, em cursos de pós, vou tentando explicitar isso. Claro, sempre com um certo cuidado, porque estas novas teorias derrubam questões muito bem estabelecidas, do tipo “certo X errado” ou “uma-coisa-é-uma-coisa-e-outra coisa-é- outra-coisa”…..rsrsrsrsrsrs. Em Comunicação, por exemplo, muita gente ainda pensa que o Canal é o mais importante no processo, ou que a Emissão (de informações), sendo limpa, garantirá a produção de sentido no Receptor. Esquecem que às vezes há grandes silêncios (nenhuma Emissão, nada no Canal) e há recepção, há produção de sentidos….Em Gestão todos querem ferramentas para aplicar, como se o objeto (ferramenta) fosse a garantia do sucesso…ou seja, o mundo ainda é muito estruturado dentro da idéia de que ele é feito em partes, as quais podemos dominar, usar e abusar, e que as partes juntas fazem o todo, portanto, se dominarmos as partes dominaremos o todo. Mas isso já está bem ultrapassado por outras lógicas de se compreender a realidade. Então, o caminho, para mim, tem sido sensibilizar, mesclando informações de várias ciências e um pouco de vivência prática, onde se evidenciam as teorias. Acho que compreender a dinâmica da nossa natureza é o que vai fazer a grande diferença, porque, daí, não será uma questão de conhecer ou treinar, mas de “ser”.
4-Quais as vantagens e desvantagens de um grupo operar em um intenso campo mórfico?
As vantagens, no campo empresarial, são muitas. Fundamentalmente, grupos que conseguem fazer emergir uma competência coletiva por campos mórficos são muito mais ágeis, inovadores, dão saltos quânticos com facilidade, porque pulam toda a parte da gestão que insiste em dissecar processos, achar culpados, fluxogramar o erro. O entendimento se dá por saltos, e poucas palavras circulam, porque a sinergia e a decodificação são infinitamente mais rápidas de acontecer. Além disso, pessoalmente as pessoas são mais felizes, transitam entre dados e informações com maior segurança, se sentem pertencentes a algo maior, que faz sentido para suas vidas, acreditam nas decisões intuitivas, constroem projetos sem grandes teorizações de planejamentos e concentram a energia no “fazer”. Todos nós já experimentamos isso em alguns momentos, quando, por exemplo, estamos altamente envolvidos em alguma coisa. Sobre as desvantagens…. não sei dizer. Talvez, no âmbito pessoal, quando entramos em campos que nos sugam energia, ao invés de nos dar, ou ficamos atrelados a grupos que nos influenciem negativamente, nos atropelam, ou mesmo nos esfolam….mas sempre temos a opção de cair fora….rsrsrsrs.
5-Uma pessoa capaz de construir campos com facilidade pode ser considerada uma pessoa mais empática (existe relação entre esses dois conceitos)?
Sim, com certeza. A empatia é uma capacidade de sentir como o outro, deslocando-se até ele e produzindo o sentido do que foi comunicado como sendo do outro. No meu entendimento, isso já é metade do caminho. Em teoria há a Lógica do Terceiro Incluído, que explica as interações virtuais, por exemplo, ou a comunicação em redes de cooperação. Em neurociência já há estudos sobre os neurônios espelho, provavelmente os responsáveis por conseguirmos nos deslocar ao universo imaginário ou real do outro . A esse respeito vais gostar de ver a palestra de Ramachandran, da Universidade da Califórnia:
Acho que é assim que vamos formando a cultura, a aprendizagem, evoluindo, interferindo no mundo: pela empatia, que sempre será um ato de afeto, e de amor genuíno pelo outro.
Enfim (ainda estás aí lendo? …rsrsrsrsr) tanta coisa prá gente descobrir e evoluir….
É isso. Espero não ter sido muito cansativa. Nesse assunto, quando a gente puxa um fio, vem logo um emaranhado, e aí a gente vai,vai,vai……
Bjo grande e dá notícias.
Myriam”
Bem… muito obrigado Myriam!!!
Pra quem quiser continuar o papo com ela: myriam@blinkadvisory.com
Abs,
Cândido.
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12 respostas para “ O que é um Campo Mórfico? ”
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Fantástico,Fantástico, Fantástico… Sinto que começa a existir uma explicação “racional” para coisas que sinto diariamente em nosso trabalho mas que não conseguimos explicar com muitas diretries de passo a passo como acontecem. Acredito que esses conceitos, em áreas criativas como a nossa, é o segredinho que cria times altamente eficientes… aqueles onde um colabora com o outro, um entende o que o outro quer sem grandes confusões, onde o sentido de harmonia de forma ou de uma cor não precisam ser muito debatidos, mas apena sentidos…
Muito bom o post, estudarei mais sobre o assunto.
Léo
Candido, MUITO OBRIGADO POR ESTRAGAR MINHA NOITE
tinha planejado assistir seinfeld a noite toda MAS NÃO esse link me aparece e me vejo até as 23 pesquisando o fenomeno.
Muito bom cara!
Pô… culpa da Myriam!
Putz, fiquei tão entusiasmado que agora são 2:43… estragou mesmo!!!!!!
Adorei. =)
…e da-lhe google no assunto(enquanto ainda acesso!)
Hehe… se os chings miarem o Google, não se preocupe, vamos nos conectar “morféticamente”.
adorei cândido!!
é para pessoas sensíveis!! : )
mas colocado de forma assim, quase “científica” , quem sabe convença aqueles que ainda não aprenderam a observar as “coincidências” , as sincronicidades, as “telepatias”. Eu existo prestando atenção nisso e cada vez mais faz sentido!!: )
ps: já leu os livros do Ramachandran?? ele é demais!!
adorei o post!!
bjooon
Pois é… uma vez que conseguimos sentir e brincar nesse modus operandi, não tem mais volta e parece que a realidade muda completamente. Mas, de fato, sempre esteve lá e nós é que estávamos cegos (insensíveis) a isso. Nunca li, foi meu primeiro contato com ele. Bjs, querida.
Queridos, obrigada pelas respostas. Fico superfeliz que possamos nos encontrar para conversar sobre isso. E, sim, faz mesmo muito sentido esta hipótese dos campos mórficos, do pensamento ser um impulso elétrico que se propaga, dos neurônios espelho representarem o mundo para nós e criarem nossa realidade. Todos nós temos, diariamente, comprovações dessas teorias em cada conversa, situação, trabalho, ação que vivemos. Mas eu acho que o melhor de tudo, ainda, é que a ciência vai, mesmo, nos espiritualizar. Como diz o Cândido, não tem mais volta. Bjs a todos e obrigada. Espero que a gente não se perca de vista. Myriam.
2 da maha de domingo e eu nesse posto denovo.
Sério Candido, a culpa é sua, hahaha, mas agora eu sei onde vc trabalha!!! Hahaha, tipo escola, te pego na saída
Abraço
Hahaha… pode vir que aqui tem café no bule… e aproveita pra ficar e bater-papo. Grande abraço.
[…] Há alguns meses reencontrei por “acaso” um amigo com o qual havia perdido totalmente o contato. Ele estava surpreso com algumas coincidências incríveis que vinham acontecendo na vida dele desde que ele havia se disposto a fazer uma grande mudança, uma virada de mesa… Eu acabara de ler o livro A Profecia Celestina e indiquei, pois a história começa falando justamente sobre essas coincidências significativas, que Jung preferia chamar de sincronicidade. Esse tipo de evento sempre fez parte da minha vida; desde muito pequena tenho lembranças de acontecimentos assim. No entanto, as sincronicidades sempre me aconteceram em momentos importantes, quando eu me encontrava focada em algo e aí, por uma coincidência, me chegavam livros, fatos, pessoas, relacionadas ao meu assunto de interesse. Recentemente, outro grande amigo fez um post interessantíssimo em seu blog (http://blog.nodesign.com.br/2010/04/07/o-que-e-um-campo-morfico/#comments) sobre Campos Mórficos, que muito tem a ver com isso, mas tratado de uma maneira mais científica. E agora, atravessando uma fase bastante hard, daquele tipo da “descida ao inferno enfrentada por Psiquê” (veja no post abaixo) me surgiu um comentário muito interessante, onde uma pessoa que eu não conheço, em algum lugar do mundo, sonhou com o nome do meu blog, Salto Quântico e, ao acessá-lo pela manhã (antes mesmo de escovar os dentes, segundo ela) havia um post que lhe fez muito sentido… teria sido coincidência? Se foi uma sincronicidade, de onde isso vem? Quem organiza esses fatos? Quem faz esses links? Segundo o físico Fritjof Capra, vivemos imersos em uma grande teia de relações. Durante muito tempo vivi sob a ação de coincidências, sempre acreditando que “o universo” nos enviava sinais e que, quando estamos receptivos, conseguimos captá-los. No entanto, esta manhã li em Inner Work, a chave do reino interior, de Robert Johnson, algo que me trouxe uma nova luz sobre o assunto. Esse universo, tão distante, tão etéreo, pode ser, na verdade, nosso subconsciente agindo para nos tornar mais maduros… “Jung acreditava que Deus e toda a criação trabalham através dos tempos para trazer uma percepção consciente ao universo, e que é papel do homem levar essa evolução avante. (…) A incorporação da matéria do inconsciente deve continuar até que, por fim, a mente consciente reflita a totalidade do self. (…) Todos nós somos apanhados pelo movimento do conteúdo do inconsciente para o nível da mente consciente. (…) Temos de enfrentar os desafios e as mudanças dolorosas que o processo de conhecimento interior sempre traz. (Inner Work)”. Com isso, acabei mergulhando numa reflexão que anotei nas margens do meu livro… A maioria de nós não quer sofrer. E acredita que é possível evitar o sofrimento, pois esta mensagem nos é “vendida” desde muito cedo. Porém, o processo de tornar consciente o nosso self traz sofrimento e nos ensina sobre REALIDADE, que é diferente da felicidade eterna. Realidade tem a ver com viver no paradoxo. Nós inventamos muitas coisas para fugir do sofrimento; muitas coisas para retardar a consciência que, uma vez encontrada, não mais regride. Assim sendo, nada pode voltar a ser como era antes. Mas quando inistimos em nos ocupar pelo excesso de trabalho, por relacionamentos equivocados, por vícios, pelos problemas dos outros e até mesmo por diversão excessiva – o que nos dá a falsa sensação de felicidade eterna – o universo (ou o destino) acaba nos trazendo exatamente a experiência necessária para nos confrontarmos com a REALIDADE, ou seja, com o nosso INCONSCIENTE. Quando somos capazes de perceber as “coincidências” que invariavelmente cercam a vida de todos, e admitimos que o ACASO não existe, estamos dando um voto de confiança ao nosso inconsciente. Se pudermos, aos poucos, ouvir os recados que ele nos traz, talvez possamos chegar mais perto de ser quem realmente somos, independentemente da sociedade ou do meio onde fomos criados, por mais divergentes que estes sejam de nós. (A imagem que ilustra o post é do artista Alex Grey). […]