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BIOMIMÉTICA ALÉM DO HIGH-TECH

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Em entrevista para a última edição da revista PÁGINA22 da FGV, falei um pouco de como a biomimética ou biônica pode ser utilizada no nosso dia-a-dia de maneira simples. Em seguida, uma parte da matéria, intitulada A invenção das flores:

Todo mundo ganha

A relação na natureza é ganha-ganha. Ganham pássaros e insetos. Ganham plantas. Uma lógica que pode ser aplicada também no dia-a-dia do mundo dos negócios. A biomimética – ou, imitação da natureza na criação de soluções para a sociedade, em áreas diversas – segue além do clássico velcro, inventado com inspiração no modo como as sementes do carrapicho se agarram a objetos.

Cândido Azeredo, sócio da agência Nódesign, aponta para o modelo de protocooperação, ou cooperação, no qual duas ou mais empresas juntam suas experiências no lançamento de determinado produto ou serviço. Por exemplo, a parceria entre Adidas e Goodyear em um tênis com solado melhor para realizar caminhadas. Ou a escova de dente lançada pela Oral B, Duracell, Brown e Walt Disney.

A Disney pode estar interessada em levar às prateleiras das lojas uma escova de dente temática, mas não tem tradição nesse tipo de mercado. Associar-se a outras marcas, como Oral B, é uma boa saída, inclusive, para transmitir maior credibilidade aos clientes ou resolver questões de logística.

A biomimética contribui não apenas para o desenho de objetos, mas para o design de modelos mentais, observando o conceito de campo mórfico. A estrutura não racional que leva um grupo de andorinhas a desviar de obstáculos ou um cardume a escapar do animal que deseja atacá-lo. A maneira como os indivíduos se modificam e relacionam, diante de um estímulo. “Tipo uma rede de bluetooth entre vários cérebros. Serve de referência à criação e gerenciamento de equipes, propondo alternativas para torná-las mais integradas e eficientes”, explica Azeredo.

Ao fazer também análise do ciclo de vida de um produto, a biomimética avalia desde a matéria-prima dele à eficiência energética, passando pelo que acontece no ambiente quando o produto é usado. Existe uma preocupação sustentável, entendendo o modo como o meio e os seres vivos são impactados.

Nessa linha, a Nódesign criou, em parceria com outras empresas, um serviço a ser oferecido para companhias aéreas, o Flight CO2 -. Após cadastro, na hora de fazer o check-in no aeroporto, um passageiro indica se, em seu destino, precisará aproveitar carona ou terá disponível o próprio veículo, no estacionamento. Um sistema cruza as informações de todos que seguem no mesmo voo. Pouco depois, via SMS, informa sobre a disponibilidade dos clientes, com dados sobre consumidores que vão para bairros ou regiões próximas.

Quem estiver interessado em aproveitar ou dar uma carona, pode se encontrar em um ponto determinado, no aeroporto de desembarque. Ali, as pessoas organizam caronas ou se articulam para dividir o táxi. É uma forma de facilitar a vida dos que viajam, ajudar na melhoria do trânsito e reduzir a emissão de gás carbônico. “Cria-se um campo mórfico, expandindo a empatia do público em relação à marca que adota o serviço”, destaca Azeredo.

Cliquem aqui para ver a edição 41 dessa revista e a matéria completa.

Abs,
Cândido.



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